Silêncio
Se eu não lhe disser nada, não me manifestar de alguma forma, não emitir um sinal de fumaça, não me declarar, me expor, não lhe der ao menos uma dica, você jamais saberá o que se passa em minha mente, jamais entenderá a profundidade do lago escuro que é o meu coração, jamais poderá imaginar a grandeza ou a pequenez do meu sentimento, jamais decifrará se o que sinto é verdadeiro ou falso, se tenho saudade, raiva, desejo intenso ou apenas um leve tesão por você.
Se eu nada lhe disser, lhe dou o direito de imaginar o que bem quiser a respeito do meu silêncio. Você poderá entendê-lo como desprezo, como indiferença, como fuga, alternativa, opção, como a melhor saída, enfim, poderá interpretá-lo como bem entender, e mesmo que você consiga chegar bem perto do que pode ser a verdade sobre o silêncio, se eu nada lhe disser, sua interpretação não tem validade pra mim. Por essas e outras que entre calar e falar eu prefiro falar, mesmo que magoe, mesmo que eu pareça ridículo, mesmo que seja demais, mesmo que você não me dê ouvidos, mesmo que eu tenha que eventualmente falar entre lágrimas. O calar me faz sentir aprisionado, limitado, engasgado, incompleto, incompetente, talvez um covarde, me traz um arrependimento maior do que eu posso ter, caso chegue à conclusão de que falei demais.
Por fim, entendo que o silêncio se faça necessário em corredores de hospital, durante os cultos religiosos, em reuniões de trabalho quando o chefe está falando, quando os mais velhos narram seus conselhos e experiências, quando o professor fala, quando um burro fala e quando devemos baixar nossas orelhas. Existe a hora e o momento adequado para o silêncio, mas entre nós dois não cabe mais esse intervalo, é melhor falar tudo, falar agora e não ficar pensando em calar para sempre, portanto, chega de silêncio, chega de meias palavras, na verdade está na hora de dar um grito: Eu te amo, porra!
Pronto, falei. Mas se você preferir, não diga nada, fique em silêncio… você é quem sabe.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
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terça-feira, 8 de setembro de 2009
Já nem penso mais em ti.
mas será que nunca deixo
de lembrar que te esqueci?'
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terça-feira, 1 de setembro de 2009
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Vai Passar.
sábado, 22 de agosto de 2009
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Junte-se à nós...e assuma que vc é uma "Menina do dedo podre"(não tem o livro "O menino do dedo verde"?,nós somos a do dedo podre..."
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Sugestões para atravessar Agosto Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente. Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos - ou precauções - úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia, categoria originalidade… Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo zap!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já. Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados. Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas - coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo; evasão, escapismos. Assumidos, explícitos. Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco:.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

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terça-feira, 11 de agosto de 2009
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
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terça-feira, 28 de julho de 2009
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sábado, 11 de julho de 2009
".. E Naquele esforço contínuo e desesperado por sermos diferentes,especiais, e que as pessoas liguem a nossa imagem a coisas interessantes, vamos nos tornando filhos da mesma vaidade, e nos negando da realidade que mais cedo ou mais tarde a gente vai ter que enfrentar. Somos todos iguais."
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Marcadores: Saiu dos outros .
quinta-feira, 2 de julho de 2009
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